Doze torres, 184 apartamentos, quase 600 pessoas. “É muita gente, diz Carlos Roberto Camilo, com um certo orgulho na voz, ao se referir à “cidade” que cuida. Síndico há quase dois anos do Residencial América do Sul, construído pela Concima em 2003, em Jundiaí, Camilo faz parte de um novo estilo de administrador, que se dedica muito mais e tem, principalmente, uma postura ativa, de quem não espera os problemas e as reclamações aparecerem para resolve-los ou para sugerir soluções. “Hoje, não existe mais aquela postura ditatorial e autoritária, nem a visão hierárquica perante a figura do síndico, como se via antigamente. Tudo é muito mais democrático e, por isso, temos que ter talento para a conciliação. É uma questão de vocação, exigidos em qualquer profissão”, poderá ele. “Nos condomínios atuais, muito maiores, o tamanho dos problemas é também muito grande.
Se a pessoa não tiver uma atividade pacifista, não consegue levar nenhuma ação adiante, nem contentar à maioria, como é o ideal”, concorda José A. Lino, síndico do Residencial Alpha Park, feito pela Concima em 2002, em Campinas, que também gerencia um grande empreendimento – são 192 apartamentos, distribuídos em quatro torres. Segundo eles, também é importante que o candidato a síndico tenha algum conhecimento na área financeiras, mesmo que o condomínio opte por contratar uma administradora especializada. “Alguém tem que checar e pegar no pé”, diz Camilo. Outra coisa fundamental é o envolvimento de todos nas decisões e nos debates. “Quando as pessoas estão envolvidas, as regras deixam de ser obedecidas pela imposição e passam a ser respeitadas porque todos concordam com ela. Assim é mais eficiente”, diz Lino, que lançou até um jornal do condomínio para deixar sua gestão transparente.
Segundo experts, o bom síndico tem que:
• Conhecer em detalhes o regulamento interno do condomínio
• Ser conciliador (ter talento para conversa e tentar todos os caminhos antes de tomar uma medida radical)
• Saber antecipar problemas
• Pensar sempre pelo bem com e nunca privilegiar um pequeno grupo ou um morador apenas
• Tentar ser justo, sem tomar partido de ninguém
• Estabelecer um bom contato com a empresa administradora do condomínio (quando houver uma)
• Ter transparência financeira
• Ter arquivos e documentação organizada e à disposição dos condôminos
• Ter firmeza e atitude para transmitir segurança sobre as decisões tomadas
As boas dicas de Camilo e Lino para quem já é ou pretende se candidatar síndico:
• Se houver mais de um edifício, o ideal é ter um sub-síndico para cada torre, que será o porta-voz dos moradores. Ter com eles reuniões semanais ajuda a manter as questões em dia;
• Sinalizar todas a áreas comuns, como vias internas, garagem, piscina, vestiários, jardim, erc. Plaquinhas com o limite de velocidade e lembretes como “Não pise na grama” ou “Vaga para deficiente” deixam claras a regras e ajudam os moradores a respeitá-las;
• Tentar reservar um espaço físico para o escritório do condomínio, com horário de expediente determinado. Isso deixa claro que o sindico está trabalhando (o que justifica o salário) e também abre espaço para que os condôminos participem da gestão;
• Conversa, conversa e muita conversa. Não tente impor seu ponto de vista. Saiba ouvir se colocar no lugar do morador que apresenta alguma reclamação. Às vezes, só de ouvir, o problema está solucionado. O síndico tem que ser um pouco psicólogo, um pouco padre etc...;
• Aprender e ensinar meios de proteção ambiental. Instituir coleta de lixo reciclável ou uso racional de água, por exemplo, ainda serve para formar cidadãos conscientes;
• Não leve as coisas para o campo pessoal. Lembre-se que o cargo do síndico exige muita paciência e compreensão;
• Mesmo que não esteja previsto, formar um conselho financeiro para gerenciar as contas é ético e recomendável;
• Envolver crianças na gestão. A escolha de síndicos-mirins tira os pequenos da posição de policiados para a de policiais. Isso os faz mais responsáveis;
• Tenha uma boa agenda de fornecedores. Sempre é bom ter mais de dois orçamentos para apresentar.